domingo, 4 de dezembro de 2011

(036) O PLANEJAMENTO DO POLICIAMENTO, A BANDA PODRE E O FIEL DA BALANÇA.

O policiamento é aplicado na área do batalhão mediante prévio e meticuloso planejamento desenvolvido na Terceira Seção, responsável também pelo planejamento da instrução, atividade que a PMERJ praticamente abandonou nas suas Unidades Operacionais.
Nenhum planejamento para o policiamento ostensivo, por melhor que seja, consegue resistir à ação da banda podre, que coloca tudo a perder simplesmente não cumprindo o que foi planejado e agindo por conta própria na direção dos seus interesses.
Nada adianta o P/3 do batalhão planejar o policiamento motorizado, o policiamento à pé e as operações policiais militares, se a banda podre tiver a oportunidade de descumpri-lo no intuito de obter dinheiro sujo.
Na Polícia Militar existe um serviço que tem como um dos seus objetivos, a fiscalização do policiamento, verificando se o planejado está sendo executado. Trata-se da supervisão que pode ser realizada por Oficiais e por Subtenentes ou Sargentos. Via de regra, considerando que o comando também pode determinar fiscalizações inopinadas, são unicamente os supervisores que regularmente verificam a aplicação do policiamento.
Caso o supervisor, Oficial ou Graduado, integre a banda podre do batalhão, não fiscaliza e o planejamento segue direto para a lixeira. Ele tem o poder de apertar a tecla “del”, facilitando a ação da banda podre, sobretudo se o comando não se preocupar em supervisionar o supervisor.
Obviamente, se o P/3 integrar a banda podre, o planejamento real integrará o mundo do faz de conta, tendo em vista que na realidade ele planejará a melhor forma de ganhar dinheiro ilícito. Nesse caso, um supervisor da banda boa acaba atrapalhando, principalmente se não cultivar a omissão como forma de convivência com a outra banda.
Em síntese, o supervisor é o fiel da balança no que diz respeito ao cumprimento do planejamento, tanto de uma banda, quanto de outra.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

(035) BANDA PODRE: A CORAGEM COMO FATOR DECISIVO PARA GANHAR MAIS DINHEIRO.

Nós tratamos dos valores relativos das cadeiras no Brasil e as quantias que um ocupante da banda podre pode conseguir ocupando tais assentos, isso logo nos primeiros artigos, hoje voltamos ao tema para avançarmos um pouco mais.
O simples fato da função (cadeira) ser uma possível fonte de recursos para a banda podre, não garante que os recursos sejam alcançados, pois um fator decisivo para o sucesso no exercício ilegal da função para a obtenção de muito dinheiro: a coragem. Apesar da impunidade reinante no Rio de Janeiro, a coragem é um fator que contribui decisivamente para a obtenção de um rendimento maior ou menor da cadeira.
A propina do “jogo dos bichos”, por exemplo, é recebida com risco praticamente zero, sem grande exposição do destinatário, embora tal atividade ilícita seja considerada a fonte de recursos para tantas outras ações criminosas. O “jogo dos bichos” funciona livremente no Rio de Janeiro e paga para que isso ocorra, tanto no caixa eletrônico, quanto na remessa de malas. A capilaridade do ilícito, atuando em cada esquina, faz com que se depreenda que muita gente está sendo paga. Gente miúda, gente graúda, o que minimiza os riscos. Além disso, a relação é simbiótica, todos ganham.
Qualquer frouxo apanha a propina do “jogo dos bichos”.
No concernente ao tráfico de drogas, a situação se repete quanto os policiais fazem acordos de não repressão, recebendo simplesmente para nada combaterem os traficantes. Obviamente, para não “sujar”, vez por outra ocorre uma simulação de troca de tiros aqui e acolá, quando armas, munições e drogas são apreendidas, em comum acordo com os traficantes. Novamente, qualquer covarde pode receber esse dinheiro sujo. Todavia, precisa ter muita coragem para agir de uma forma muito mais rendosa, combatendo o tráfico de drogas em benefício próprio. Tem que ter peito para invadir comunidades carentes, sendo recebido por disparos de fuzis dos traficantes, para ao final ficar com os despojos dos vencidos, ou seja, armas, drogas e munições que serão vendidos. Isso sem falar na coragem para prender e negociar uma cabeça boa, vencendo toda a contenção e recebendo uma pequena fortuna pela libertação do cabeçudo.
Tem que ser muito macho para atuar nessa atividade mais rendosa, que pode também incluir a proteção de uma facção do tráfico, contra o ataque da rival. Pode parecer inverossímil a polícia ser chamada por traficantes para que enfrente os traficantes da facção adversária, mas isso ocorre, existem policiais com coragem suficiente para tamanha audácia.
Por sua vez, as cadeiras do trânsito não precisam de tanta coragem, na verdade quase nenhuma.
São as Auto Patrulhas de Trânsito (APTrans) e as Moto Patrulhas de Trânsito (MPTrans) empregadas isoladamente ou em conjunto em operações policiais, para fiscalizar veículos que circulam pelas ruas. Ambas rendem um bom dinheiro, sem risco significativo, pois a relação é novamente uma simbiose. O cidadão fica agradecido por não ter seu veículo apreendido e multado, pagando um valor muito menor para o policial. As atividades da banda podre nos serviços policiais relacionados com o trânsito possuem outras formas de atuação, como os acordos que podem ser feitos com os transportes clandestinos, gerando recursos muito consideráveis. Conta a lenda que atualmente o gerenciamento desses serviços pode ser feito diretamente pelo comandante do batalhão, em face dos rendimentos obtidos, isso se ele for integrante da banda podre.
Um rendimento também com pouco risco é o obtido com as rondas bancárias, as patrulhas que tem o objetivo de evitar roubos em estabelecimentos bancários e que nas mãos da banda podre se transforma em policiamento privilegiado, uma segurança privada, paga. É uma relação mais fina, empresarial, exigindo a participação direta do comandante ou de seu staff direto, precedida de reuniões com os gerentes.
Ratificamos que toda cadeira pode gerar um dinheiro ilícito, desde que ocupada por um integrante da banda podre, mas nenhuma delas rende um centavo ilegal, quando ocupadas pelos verdadeiros policiais.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

( 034 ) O FASCÍNIO DA CORRUPÇÃO NA POLÍCIA MILITAR DO RIO DE JANEIRO.

Quanto mais bandidos melhor!
As organizações criminosas dos diferentes países onde o crime encontra terreno fértil, sempre buscam corromper os policiais, tanto para evitar que atuem na repressão direta aos crimes nas ruas, quanto para utilizá-los como mão de obra barata, principalmente para atuarem como seguranças dos dignitários do crime e na proteção às próprias atividades criminosas. No Brasil, país que caminha rapidamente para um regime cleptocrático, essa realidade de cooptação dos policiais também faz parte do nosso cotidiano, assim como, no Rio de Janeiro dos nossos tristes dias.
Nos países que conseguem controlar o crime a tarefa das organizações criminosas de trazer para o seu controle as instituições policiais é muito dificultada pelo simples fato dos policiais serem valorizados, considerando que a cooptação dos policiais exige a existência de dois pressupostos básicos:
- Pagar o pior salário possível aos Policiais da ponta da linha; e
- gratificar regiamente os Policiais do topo das instituições policiais.
É muito simples entender tal lógica.
Os policiais da ponta da linha são os que atuam diretamente nas ruas rotineiramente, pois são esses os que podem reprimir direta e constantemente as atividades criminosas. No caso das Polícias Militares, por exemplo, podemos considerar como ponta da linha os Praças, os Tenentes e os Capitães. Esses devem ganhar muito mal para que possam ser facilmente cooptados para a corrupção e por propinas de baixo valor, considerando que são em grande número, o que inviabiliza o pagamento de valores altos para cada um deles.
Os policiais do topo devem ganhar muito bem para que tenham medo de perder as funções, principalmente se elas forem gratificadas como ocorre exatamente no Rio de Janeiro, por exemplo, pois assim são facilmente controlados pelos políticos envolvidos nessas atividades ilícitas. No Rio um Coronel de Polícia que comanda um Comando de Policiamento de Área (CPA), recebe só de gratificação de R$ 7.500,00, o que faz com que ele não queira sair da cadeira, assim sendo, nada vê, nada ouve e nada fala.
Tal realidade faz valer a frase que já citei algumas vezes nesse espaço democrático: "Enquanto não der merda, eu seguro".
Ela pode ser traduzida da seguinte forma: Os comandos não vêem nada embaixo deles, isso enquanto ninguém for flagrado em prática criminosa (enquanto não der m....), nesse caso ele segura a situação, o status quo, deixa a coisa rolar solta. Todavia, se der m.... (alguém for flagrado), ele não segura mais, considerando que tem que preservar a sua cadeira, a sua gratificação, sendo comum até alguns afirmarem publicamente (entrevistas) que irão punir com rigor todos os envolvidos.
Pura hipocrisia.
Obviamente, os policiais do topo da carreira não raro também são alvos da cooptação criminosa, recebendo propinas de alto valor, pois tendo os chefes na mão, o crime flui com maior facilidade ainda. Nesse caso o pagamento de propinas elevadas não são invibializadas tendo em vista que o número de beneficiários é muito menor que na ponta da linha. Mas a tática genérica é imobilizar com as altas gratificações, o que atinge os chefes honestos (e são muitos), adoçando o bolso com esses benefícios, como no Rio, onde a gratificação se aproxima do valor do próprio salário.
No Rio esse é o quadro atual com o avanço da banda podre por meios de ligações cada vez mais estruturadas com as organizações criminosas, muitas já tradicionais no convívio social.
Essa macabra realidade faz com que a corrupção exerça um grande fascínio nos jovens Policiais Militares, tanto nos jovens Soldados que concluem o Curso de Formação de Soldados no CFAP, quanto nos jovens Tenentes (Aspirantes) que concluem o Curso de Formação de Oficiais na APM D. João VI.
Os Policiais Militares em regra são de origem humilde e chegam nos batalhões trazendo nos bolsos os seus salários miseráveis que recebem por mês e logo percebem que muitos dos seus iguais, embora recebendo os mesmos salários, exibem um padrão de vida muito superior.
De um lado, Soldados que encontram dificuldades para reunirem o dinheiro para pagar a passagem do ônibus que os leva até o batalhão e do outro, Soldados desfilando com carros de luxo. Tenentes fazendo contas para casar, entrando no limite do cheque todo mês; enquanto outros sustentam facilmente a família e ainda gastam pequenas fortunas nas noitadas com as namoradas. Coronéis endividados e Coronéis milionários.
Os mesmos salários e vidas tão diferentes.
A corrupção assim acaba exercendo o seu poder de fascinação e os que não são fortes o suficiente acabam atraídos pelo canto das sereias e mergulhando de cabeça no mundo das bandas podres, um mundo em franca expansão no Rio.
Quem conhece a PMERJ, conhece essas verdades.

domingo, 8 de maio de 2011

( 033 ) QUANTO MAIS BANDIDOS MELHOR!

A implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) no município do Rio de Janeiro através da ocupação de comunidades carentes com jovens Policiais Militares, pode significar para o cidadão comum um duro golpe nas bandas podres das Polícias Civil e Militar. Afinal, a presença do policiamento ostensivo coibindo todos os ilícitos, terminaria pondo um ponto final na simbiose criminosa entre as bandas podres e os criminosos, tendo em vista que os velhos acordos não iriam continuar. Tudo indicava que seria o fim da venda de armas e drogas apreendidas de outra facção; das prisões de traficantes seguidas de negociação para a libertação; da propina semanal para não combater o tráfico; etc.
Em tese, tudo isso aconteceria, mas a realidade nem sempre acompanha a teoria.
Logo no início o governo avisou que o objetivo das UPPs não era acabar com o tráfico de drogas e sim acabar com a exibição ostensiva de armamentos nas comunidades carentes, algo que efetivamente não funcionava como uma propaganda positiva para o governo Sérgio Cabral. A ressalva inicial fez com que ficasse claro que a Polícia Militar e os criminosos coexistiriam no mesmo espaço físico, o que é a regra básica para a construção de uma relação de corrupção passiva e ativa, como todos sabemos.
As UPPs podem até ter rompido com algumas das velhas ligações entre as bandas podres e os criminosos, mas tudo indica que estão sendo construídas novas relações, como os primeiros sinais indicam.
Escrito isso cabe ainda destacar um efeito colateral das UPPs, a transferência de traficantes de uma comunidade para outra, mediante aviso prévio do governo estadual. Tal redistribuição de traficantes e fuzis é uma das marcas registradas do governo Sérgio Cabral, tal tática nunca tinha sido empregada no Rio de Janeiro, sendo uma novidade em todo mundo, pelo que conheço sobre segurança pública.
A recolocação desses traficantes e seus fuzis, acaba favorecendo também as bandas podres, considerando que quanto mais bandidos melhor?
Eis uma regra das bandas podres, pois quanto maior o número de criminosos, mais fácil fazer acordo com eles. Bem como, prendê-los, apreender suas armas e drogas, para extorqui-los das mais diferentes formas. Assim os traficantes que seguem para outras comunidades acabam sendo muito bem-vindos pelas bandas podres das regiões onde passam a atuar.
Em apertada síntese, as Unidades de Polícia Pacificadora pouco atrapalharam as bandas podres que atuam nas comunidades onde foram instaladas e estão fazendo a felicidade das bandas podres das comunidades para onde estão migrando os traficantes e seus fuzis.
Quanto mais bandidos melhor!

sábado, 16 de abril de 2011

( 032 ) O LADRÃO PARAGUAIO.

A primeira vez que ouvi tal expressão foi no Quartel General da PMERJ, ela simboliza o mau ladrão, o que rouba mal e acaba sendo preso. O bom ladrão rouba pela vida toda e nunca é devidamente responsabilizado, pode levar um susto aqui e outro ali, mas no final sai livre.
Exemplos de ladrões paraguaios não faltam, as suas histórias correm fáceis pelos corredores no meio da própria banda podre, pois são alvos de chacotas. As histórias dos bons ladrões não são tantas, pois eles preferem o anonimato, não gostam da fama de ladrões, afinal precisam manter as aparências. Todavia, sempre aparece um ou outro que gosta de enaltecer as suas virtudes, a sua esperteza na arte de arrumar um por fora.
Eu ouvi uma dessas histórias sobre um relativamente famoso bom ladrão. Na época o campeonato carioca era ainda uma disputa restrita apenas aos clubes de futebol do município do Rio de Janeiro, o Interior não tinha mostrado a sua força, como ocorre atualmente.
Os clubes de menor investimento mandavam seus jogos nos seus pequenos estádios e um deles era o estádio dos ventos uivantes, situado na Ilha do Governador. O apelido era decorrente das ventanias que cortavam o estádio na parte da tarde e que permitiam que em um tiro de meta, o goleiro colocasse a bola na área do adversário, quando o vento estava a seu favor. No estádio chegou a ocorrer gol de goleiro com chutes partindo de dentro da grande área e cruzando todo o campo até estufar as redes adversárias.
Em uma dessas tardes, o vento chegou mais cedo, mas foi direto para a sala de arrecadação do estádio.
Conta a lenda que o policiamento para os jogos era pago, rendia um dinheirinho para o P/3 do batalhão da área, que comparecia ao estádio no intervalo dos jogos para apanhar o que lhe cabia. Só que um bom ladrão, quando descobriu a armação, resolveu ser mais rápido no dia em que foi escalado para comandar o policiamento.
Mal o jogo começou ele foi até a sala de arrecadação e pegou a grana em nome do P/3.
O nobre Capitão ao chegar soube que levou uma pernada do Tenente.
A ousadia não ficou impune, o bom ladrão foi transferido da sede do batalhão, mas não passou disso, afinal, o que o nobre Capitão poderia fazer, além disso?
Ventava muito na Ilha do Governador.

quinta-feira, 31 de março de 2011

( 031 ) DIÁRIAS NUNCA MAIS.

No cesto tinha metade dos pães da nota.
As bandas podres policiais sempre diversificam as suas atividades e partem da máxima que arrumar um por fora é possível em incontáveis situações, dentro dos quartéis e das delegacias ou nas ruas, na pista.
Interna corporis, as possibilidades das falcatruas administrativas são enormes e podem se materializar em qualquer compra, por mais simples que elas possam parecer, como as compras nas padarias.
É muito simples: o fornecedor expede a nota fiscal com uma quantidade maior do que a entregue, por exemplo, o que gera um lucro, parte do qual retorna para o integrante da banda podre. Obviamente, além da alteração na quantidade, as alterações podem ser na qualidade, fornecendo materiais de qualidade inferior aos constantes na nota e assim mais baratos.
Em casos extremos, o fornecedor não entrega nada, são as famosas notas frias, o valor pago faz a festa da banda podre.
Na compra diária de pães, basta que a padaria entregue menos pães todo dia para que no final do mês o montante seja considerável.
Todavia, a maior fonte de recursos para a banda podre dentro dos quartéis da Polícia Militar e a venda de cadeiras no policiamento motorizado. Por claros motivos, um Policial Militar da banda podre consegue arrumar mais dinheiro podendo usar uma viatura do que realizando o policiamento a pé. Assim sendo, uma vaga em uma guarnição de Auto Patrulha de Trânsito, de Rádio Patrulha e de PATAMO (GAT) custa uma contribuição semanal para o comando da companhia ou para o P/1. Isso faz com que o Praça da banda podre já deixe o quartel com uma dívida a ser paga, tendo que correr atrás na pista. Uma comparação simplória seria com um motorista de táxi que tivesse que pagar diárias ao proprietário do veículo e da autonomia.
Quem sabe um dia a campanha desses taxistas “diárias nunca mais” chegue até os quartéis da bicentenária e gloriosa Polícia Militar.

quinta-feira, 10 de março de 2011

( 030 ) OS PURIFICADOS.

Alguns Oficiais ao longo da carreira se banham no Rio Jordão, passando a viver como se estivessem purificados de todos os pecados.
Eles são os purificados.
O tempo é o senhor da razão.
O dito popular é uma grande verdade, considerando que com o passar do tempo muitas verdades que estavam escondidas acabam aparecendo para clarificar situações obscuras no passado. Além disso, quando convivemos durante muito tempo dentro de um grupo social, podemos voltar ao passado para analisar comportamentos do presente.
Tenho feito uma pergunta com frequência:
Qual a sua opinião, o Tenente desonesto pode virar um Coronel honesto?
A pergunta guarda uma relação direta entre a necessidade de conhecermos o passado das pessoas para analisar o presente de cada uma delas interna corporis.
A Polícia Militar realiza viagens de estudo para seus Oficiais, via de regra, após a conclusão do Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais ou do Curso Superior de Polícia. As viagens nas últimas três décadas foram realizadas pelo Brasil e pelo exterior, a maioria das viagens internacionais foram para países da América do Sul, para os Estados Unidos e para países da Europa.
Apesar dessas viagens serem uma realidade, elas nunca foram feitas para o Oriente Médio, no intuito de promover no Rio Jordão, a purificação dos pecados dos Oficiais da banda podre da corporação.
Isso é fato, todavia, o que existe de Oficial que ao longo da carreira pertenceu à banda podre e que ao chegar aos últimos postos - Coronel e Tenente Coronel - se portam como se tivessem sofrido um processo de purificação é bastante considerável.
Ao vê-los e ouvi-los nos discursos em seus quartéis ou nas entrevistas televisivas diante de acusações em desfavor de Policiais Militares, comentando que os fatos serão apurados; que a Polícia Militar não compactua com maus policiais; que os envolvidos poderão ser expulsos e coisas do gênero, chega a causar naúseas aos integrantes da banda boa que os conhecem muito bem.
Nem que passassem por todos os processos de purificação disponíveis no planeta Terra, os seus pecados não seriam esquecidos pelos seus superiores, pares e subordinados.
Embora tais Oficiais tentem incorporar um bom mocismo, todos na corporação sabem que a pseudo purificação é da boca para fora, bastando uma oportunidade para que vomitem toda água do Rio Jordão.
No cesto tinha a metade dos pães da nota.

quinta-feira, 3 de março de 2011

( 029 ) REUNIÃO COM O CHEFE.

Qual a sua opinião, o Tenente desonesto pode virar um Coronel honesto?
O Aluno Oficial após a conclusão do Curso de Formação de Oficiais é declarado Aspirante à Oficial, sendo apresentado a uma Unidade Operacional (batalhão) da Polícia Militar, onde realiza o seu estágio probatório de oito meses, ao final do qual é promovido ao posto de 2º Tenente de Polícia.
O fato de estar em período de avaliação, sem estabilidade, faz com que os Aspirantes pisem em ovos e procurem evitar todas as possibilidades de erro que possam colocá-los em situação que impeçam a promoção. Assim sendo, via de regra, são facilmente manobráveis, característica que no passado permitia que fossem usados pelos Oficiais da banda podre para aumentar o valor de propinas, em especial do jogo dos bichos.
O uso era simples: o jogo dos bichos é ilícito, portanto deve ser reprimido e ninguém está com mais energia e vontade de combater que os Aspirantes. Nesse contexto, os Oficiais que recebiam a propina paga pelo jogo dos bichos estimulavam os jovens Aspirantes para combaterem a ilegalidade e após algum tempo de repressão, solicitavam aumento da propina para pararem com o combate promovido pelos idealistas Aspirantes.
Cabe destacar nesse ponto que a propina do jogo dos bichos é paga mensalmente no próprio batalhão, existindo um responsável por essa arrecadação junto aos bicheiros e distribuição aos Oficiais, conhecido como o apanhador.
Obviamente, ao longo do processo de utilização dos futuros Tenentes, a banda podre tenta conquistar os combatentes, sendo que muitos aderem, pois percebem que para receber a propina dos bicheiros basta não combatê-los e como ninguém os enfrenta normalmente, basta seguir a corrente para ganhar uns trocados que ajudam a complementar os salários miseráveis.
A fórmula descrita não é a única forma de negociar o aumento da propina do bicho, no passado ficaram famosas algumas reuniões entre os bicheiros das áreas e os Oficiais dos batalhões, algo degradante.
Aliás, uma cena do passado muito degradante ocorreu no Batalhão de Polícia de Choque, onde eram realizadas as apurações das escolas de samba. Bicheiros e Policiais Militares convivendo harmoniosamente. As apurações eram acaloradas e, vez por outra, ocorriam desentendimentos. Em uma dessas efervescentes reuniões, o falecido Castor de Andrade passa mal, sendo retirado nos braços de um forte Tenente de Polícia.
A relação entre os contraventores do jogo dos bichos e os Policiais Civis e Militares sempre foi motivo de vergonha para os integrantes da banda boa das instituições.
Caro leitor, um Tenente que tenha participado de reuniões com bicheiros e que sempre recebeu a propina mensal paga por eles, pode ter se transformado em um Coronel honesto?
Respondo: não!
O ingresso na banda podre é um caminho quase sem volta, raros beberam da sua fonte e se arrependeram voltando para os caminhos da legalidade.
Degradante.

Apesar dessa verdade, alguns Oficiais ao longo da carreira se banham no Rio Jordão, passando a viver como se estivessem purificados de todos os pecados.
Eles são os purificados.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

( 028 ) BANDA PODRE DAS POLÍCIAS, OS PIRATAS URBANOS DO RIO DE JANEIRO.

Prezado leitor, um Oficial que quando era Tenente apanhava a propina do jogo dos bichos, pode se transformar em um Coronel honesto?
Os últimos acontecimentos ocorridos no Rio de Janeiro demonstram de forma inequívoca que o governo Sérgio Cabral não combateu as bandas podres das Polícias Civil e Militar como devia e era imprescindível, tendo abandonado sem qualquer investimento durante o governo, os órgãos de controle interno das instituições: as Corregedorias Internas.
Tal liberdade fez com que as bandas podres se fortalecessem no Rio, inclusive com o crescimento das áreas dominadas pelos milicianos, pois nas investigações só foram responsabilizados os "pés de chinelo", que são facilmente substituíveis, como o crescimento das milícias comprova.
As bandas podres policiais do Rio são verdadeiros piratas urbanos do século XXI. Os piratas não tinham salários, eles trabalhavam pelo que conseguiam recolher nos saques, os despojos dos vencidos. As bandas podres agem na mesa direção, pois embora recebam salários, pouco se importam com eles, não lutam por melhores salários, o interesse é o que pode ser obtido nos desvios de conduta. Tal qual piratas eles vendem proteção (salvo conduto) e saqueiam inimigos, obtendo valores várias vezes superiores aos seus salários pagos pelos cofres públicos.
Na invasão e na ocupação da Vila Cruzeiro e do Complexo do Alemão as forças policiais hastearam a bandeira nacional e a bandeira do estado do RJ, o que foi filmado e transmitido por todas as emissoras de TV.
As operações foram transformadas em verdadeiros saques desenvolvidos em casa de moradores de bem, de pessoas envolvidas com o tráfico e de estabelecimentos comerciais.
Algumas viaturas pareciam autênticos navios piratas, dando salvo conduto a quem pagava bem e estavam abarrotadas de despojos dos vencidos, cada pirata urbano carregava o que podia.
Logo a bandeira que tremulava no alto das comunidades era outra (bandeira).
Qual a sua opinião, o Tenente desonesto pode virar um Coronel honesto?

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

( 027 ) IMPLODIRAM A SECRETARIA DE SEGURANÇA.

Aluga-se um Caveirão, alguém interessado.
A sexta-feira começou com a Operação Guilhotina da Polícia Federal atingindo duramente a banda podre da Polícia Civil e da Polícia Militar.
Toda repressão às bandas podres deve ser comemorada pelas bandas boas, afinal as podres são também responsáveis pelos péssimos salários que recebemos, considerando que não lutam por salários dignos, querem apenas o dinheiro fácil e sujo.
As bandas podres estragam até conquistas dos policiais, os veículos blindados para transporte de tropa são um exemplo dessa deturpação. O uso desses veículos, apelidados como caveirões, foi uma grande conquista para os policiais, que ganharam a possibilidade de entrar em comunidades dominadas pelos traficantes de drogas, sem expor a tropa ao risco de morte.
Infelizmente, a banda podre estraga tudo e logo vislumbrou nos caveirões uma ferramenta excelente para operacionalizar as suas ações criminosas.
Denúncias se multiplicaram sobre a utilização desses veículos blindados para permitir que facções rivais invadissem comunidades para tomá-las, assim como, para transportar milicianos com objetivo idêntico, tomar as comunidades do tráfico.
O uso dos caveirões foi um dos indícios de que alguns comandos estariam apoiando a invasão dos milicianos, boatos que circularam com muita força.
Os caveirões além de garantirem a integridade física dos invasores, não podiam ser rastreados pela Corregedoria, pois não foram implantados neles os equipamentos para a localização (GPS), assim ninguém sabia onde estava um caveirão após ele sair do quartel, uma realidade que continua até os nossos dias, pelo que sei.
Os caveirões eram alugados a preço de ouro.
A banda podre não perde nenhuma oportunidade de obter um por fora.
Aluga-se um Caveirão, alguém interessado.
Prezado leitor, um Oficial que quando era Tenente apanhava a propina do jogo dos bichos, pode se transformar em um Coronel honesto?